Día de pesca en ALQUEVA

 

À pesca no Grande Lago

O convite de Marco Almeida surgiu em princípio de dezembro e o objetivo era deslocarmo-nos ao Grande Lago do Alqueva e tentar a sorte aos bons lúcios e luciopercas que já existem naquela massa de água, contornando as dificuldades naturais que a pesca do achigã traz naturalmente nesta altura. Aceitámos o convite…Em conversa telefónica, Marco Almeida, pescador conhecido nas lides da pesca embarcada ao achigã, falava-me das suas recentes “aventuras” na pesca dos robalos e, naturalmente, como acontece nestas conversas, falou-se de muitas mais coisas, “apanhou-se muito peixe” ao telefone e lá se combinou uma pesca, desta feita no Alqueva para se tentarem os mais recentes habitantes do lago: os lúcios e luciopercas. Mau tempo no canal .A data marcada para esta saída era uma incógnita pois os temporais que assolaram o País em nada facilitavam a tarefa. Assim sendo, e após um longo período de espera em que uma boa aberta de tempo coincidisse com a minha disponibilidade e a do Marco, lá encontrámos um dia que calhava bem aos dois, um dia que prometia ser de céu azul e com pouco vento no Alqueva. Como nestas coisas das previsões, sobretudo em fases de temporal de sul e de oeste, as previsões nunca batem muito certas, estávamos mentalmente preparados para surpresas. Uma coisa é certa: às 6h50 da manhã já estávamos na rampa junto ao paredão da barragem para iniciarmos as hostilidades e dali à zona que Marco queria bater era um pulinho, caso a agitação da água e ausência de nevoeiro ajudassem à navegação.

Antes de mais: preparar material!

Barco na água e chegou a hora de preparar material. Marco é competidor por natureza e é incapaz de não montar tudo aquilo que pode eventualmente vir a precisar. “Não consigo sair sem levar tudo montado. No entanto as opções para hoje vão ser mais feitas a pensar nos lúcios e luciopercas e por isso vou montar coisas um pouco maiores, amostras de reação sobretudo, caindo as minhas escolhas em cranks e spinners, em vermelhos, chartreuses e brancos, amostras que com recuperações mais lentas têm feito boas capturas a estes peixes nos últimos tempos. No entanto vou preparar montagens Texas com lagostim, minhoca, drop shot e jerkbait para tentar fazer um outro achigã depois de passar “a hora” dos lúcios e luciopercas, peixes que se alimentam com pouca luz – sobretudo os luciopercas – e habitualmente em cardume, pelo que dispor da ajuda de uma sonda é sempre ideal para localizar alguns peixes para depois se tentar descobrir o padrão, a técnica com que estão a comer”.Material montado, tudo arrumado a bordo e o tempo a permitir uma “largada” rápida, lá arrancámos direito aquela que é considerada uma das zonas mais produtivas do Alqueva nesta altura para estes novos “inquilinos”. A zona de caça

Durante a curta viagem Marco explicou o que íamos encontrar: “Trata-se de uma zona de eucaliptos cortados, com alguns paus secos na água que se conseguem detetar facilmente pois saem da água. É nessa zona do braço da Amieira que estes peixes têm saído com mais regularidade e é aí que quero insistir. A hora também não é despropositada pois são peixes que se alimentam de noite e há que aproveitar alguma atividade. Mesmo que estivesse mais vento, é uma zona que abriga do vento sul e podemos sempre pescar mais comodamente, se bem que uma brisazinha ajude sempre na pesca com amostras de reação como os spinners e os cranks, a minha fé para hoje. Em novembro quando cá vim com um amigo que nunca tinha pescado a estes peixes foi muito engraçado e fizemos várias capturas, até mesmo com shads de vinil como os que se usam no mar. A água está com uma cor boa, só é preciso ver se os peixes colaboram.Deceção…

A margem a bater estava toda ela cheia de touças de eucalipto, uma cópia do que se via na margem, alguns paus e árvores secas fora de água: esta era a zona de caça.Após três lançamentos, Marco ferra um peixe num bico, nas árvores mais por fora: era um achigã. “Não era bem isto ao que vínhamos, mas menos mal”.Marco fez este peixe lançado para o meio dos ramos da árvore mais de fora e fez um crank deep runner passar pelo meio a uma boa velocidade e zás: um ataque violento de um verdinho a rondar os 800 gramas. Mas não era isto que queríamos.A deceção tornou-se ainda maior quando Marco insistiu pacientemente em toda a margem dos eucaliptos e nem mais um peixe! Aquilo ao que tínhamos vindo não estava a responder e Marco disse pragmaticamente que: “É hora de mudar de tática! Se estão cá não querem e o temporal dos últimos dias pode ter alterado tudo. Como a água está a 12,7ºC podemos tentar fazer uma tentativa aos achigãs mas se calhar ainda vai ser mais complicado… mas é para isso que tenho tudo preparado”, disse sorrindo.

Procurar um padrão

A primeira coisa em que Marco se baseou para tentar encontrar o padrão para se conseguirem apanhar uns achigãs foi a cor do peixe que se tinha capturado num dos primeiros lançamentos. “ O achigã que apanhei tinha uma coloração bonita e encontrava-se suspenso ao abrigo de uma árvore; se fosse um peixe apanhado no fundo, mesmo com um crank ou a Texas, era clarinho, esbranquiçado…isto é sinal de que estava ativo e era indiferente a amostra que lhe passasse à frente que ele atacava. Há portanto peixes ativos e temos de tentar averiguar se há mais peixes nas mesmas condições daquele que apanhei.”. Voltámos para trás e quisemos repetir o percurso feito, desta feita com outras coisas em mente: achigãs.Mal entrámos na zona das árvores secas, Marco lança novamente para dentro de um par de paus secos de uma árvore que ficava por fora de um bico e novo ataque.“Parece que temos um padrão! Este peixe foi quase uma cópia do outro, apenas foi no bico seguinte ao do que apanhei o primeiro. Deixa lá ver a profundidade a que eles estão, se bem que são peixes suspensos e podem estar a colocar-se no limite de alguma zona de conforto e as primeiras árvores.”.Depois de olhar para a sonda verificou-se que os peixes tinham sido apanhados entre os sete e os oito metros de profundidade, mas acima do fundo, a meio da coluna de água.Ainda questionei Marco sobre se seria a cota a insistir e respondeu que é sempre esse o dilema de quem procura peixe ativo. “Pela minha experiência e pelo que já percebi, do limite onde temos feito os peixes até à margem, toda ela com árvores idênticas aquelas onde fizemos capturas não tivemos um ataque. Se quisermos bater mais água e procurar mais peixes ativos é isso que deveremos fazer, se fosse em competição nem hesitava!”.

Nova corrida, nova viagem…A zona dos eucaliptos não produziu mais nenhuma captura e, Marco decidiu novamente procurar um novo cenário para tentar o padrão que lhe parecia ser o mais acertado.O local era uma ilha que fazia um bico e tinha também umas árvores submersas.Parado o barco, olhámos para a sonda e estávamos por cima de uma cota semelhante à daquela onde se fizeram as capturas no outro local. Marco lançou sucessivamente para as árvores submersas em torno da ilha, uma zona quente onde habitualmente faz umas capturas e nada! Parou de pescar, pé no motor elétrico, olhou para as canas e decidiu optar por uma minhoca a pescar à Texas por baixo do barco. “Senti uma ligeira pressão…agora um tap quando animei…tenho um!” Era mais um achigã e que veio confirmar aquilo que Marco suspeitava. “Penso que não será coincidência estar a fazer o peixe na mesma cota, entre os sete e os oito metros. A temperatura também é igual à do outro lado e parece que o padrão está a ficar definido, vou insistir só mais um pouco, agora com drop shot para tentar perceber se há peixes suspensos nas árvores e que não apareçam na sonda. O resultado desta passagem foi nulo e Marco decidiu repetir a curta extensão da ilha com crank e na mesma profundidade para tentar passar acima das árvores que ficam nesta cota, mas que desta feita estão submersas”. Após alguns lançamentos, eis que Marco ferra mais um peixe, nas mesmas condições, isto é, ao passar sobre uma zona com árvores (agora completamente submersas) e com profundidade idêntica. “Está tirada a prova dos nove! É isto que teria de se procurar caso estivéssemos em prova. O crank que agora usei afundava um pouco mais e passava por cima dos píncaros das árvores secas, situação semelhante à dos outros peixes capturados. Mais um detalhe é que todos estes peixes tinham uma coloração bem verdinha, diferente da dos peixes apanhados no fundo…os fantasmas! Estão ativos e a prova disso foi a forma franca com que atacaram as amostras.”. A hora de partida estava a chegar e a missão tinha sido cumprida, um dia de pesca interessante com um mestre na matéria que, a meio da jornada, teve de trocar o peixe que tinha como objetivo, uma verdadeira lição de que na pesca as coincidências não existem e que o nosso desporto é um verdadeiro jogo de xadrez. Quando perguntámos ao Marco o que achava da sorte, respondeu: “Na pesca? O que é isso?”.

CAIXAS, Sobre padrões…Lógico que tudo neste dia nada teve a ver com peixes “importados” e com dentes mas sim com padrões de pesca ao achigã. Como Marco Almeida frisou, mesmo os padrões são vagos, sendo apenas limitados a um curto espaço de tempo. Como exemplo contou uma história de um treino que tinha feito perto da zona onde fizemos a nossa pesca, onde tinha feito muitos achigãs a split shot, com exemplares entre 800 gramas e 1,5kg, o sonho de qualquer competidor num dia de prova. Estabelecido o padrão, no dia seguinte, o primeiro de prova, rumaram à zona com a mesma técnica e os maiores peixes que se apanharam tinham 600 gramas, tendo-se alcançado um resultado abaixo do esperado. No jantar que juntou os competidores escutou-se um zum zum de que jerkbait seria a amostra a usar e que selecionava o lote, mais que todas as outras. Dia seguinte veio a prova dos nove e Marco e o seu companheiro Nuno Ezequiel apostaram as suas fichas na mesma zona, mas a pescar apenas a jerkbait. A prova foi de sonho e, não tivessem sido os três exemplares acima de 1,5kg que se perderam a conquista da prova teria sido mais que certa.

Alqueva: ainda um paraíso?

Uma massa de água que alberga uma quantidade de predadores de topo como o Alqueva pode começar a apresentar sinais de perda de vitalidade, pois muitas espécies competem pelos mesmos recursos, os mesmos alimentos. Quando questionado sobre a sua opinião do atual estado do Grande Lago, Marco Almeida referiu: “Não acho que, atualmente acha nenhum choque. A densidade de lúcios e luciopercas ainda não é absurda e por isso não noto regressão no número de achigãs, bem pelo contrário. O fato de se terem introduzido os alburnos também contribui para isso, uma forrageira que equilibrou a situação, podendo dizer-se que, até ao momento, há alimento para todos.”.

Autor e Imagens: Carlos Abreu

Colabora: Marco Almeida

 

 

 

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